Começou nesta segunda-feira (2) uma fase nova da operação Lava Jato. Testemunhas de acusação do processo contra as empresas Camargo Correa e UTC prestaram depoimento. As construtoras são acusadas de envolvimento no desvio de dinheiro da Petrobras.
Os investigados chegaram em um comboio da Polícia Federal. Executivos das duas empreiteiras estão presos desde o fim do ano passado em Curitiba.
Segundo a investigação, pelo menos 1% do valor de todos os contratos e aditivos da Petrobras com a Camargo Correa e com a UTC era desviado para pagamento de propina ao ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa. A denúncia pede que essas duas empresas devolvam R$ 343 milhões. Advogados da Petrobras acompanharam os depoimentos.
“Uma pessoa jurídica que sofreu um dano patrimonial muito grande e que está caracterizada no processo como vítima realmente, é o que nós sustentamos”, disse o advogado da Petrobras, René Dotti.
Nesta segunda-feira (02), o juiz Sérgio Moro ouviu três testemunhas: o delegado da Polícia Federal Márcio Adriano Ancelmo, que investiga o caso, o executivo Augusto Ribeiro de Mendonça e o consultor Júlio Camargo da empresa Toyo Setal, que fizeram acordo de delação premiada.
Augusto de Mendonça, disse que Ricardo Pessoa, presidente da UTC, era o coordenador do chamado clube, o cartel das empreiteiras que dividiam os contratos da Petrobras.
Os advogados dos réus também participam da audiência e podem fazer perguntas paras as testemunhas. Celso Vilardi, que defende os executivos da Camargo Correa reclamou da falta de acesso a dados da investigação
“O recebimento da denúncia se deu na sexta-feira (30). Nesta segunda-feira (02) já temos uma audiência. Mal tivemos de verificar a decisão. Existem vários documentos que não estão nos autos, mas com todas as dificuldades possíveis vamos tentar fazer a audiência”, afirmou o advogado da Camargo Correa, Celso Vilardi.
Advogado de Youssef disse que testemunhas confirmam tese
Os depoimentos das três testemunhas terminaram tarde. E por isso, o conteúdo dos depoimentos ainda não foi divulgado oficialmente.
Mas o advogado que defende o doleiro Alberto Youssef, Antônio Figueiredo Basto, acompanhou a audiência e disse na saída que as testemunhas de acusação confirmam a tese de seu cliente, de que o esquema de corrupção foi montado para manter um projeto de poder. Basto disse ainda que Augusto Ribeiro, executivo da Toyo Setal, que fez um acordo de delação premiada e prestou depoimento nesta segunda-feira (2), declarou que fez uma doação de campanha ao Partido dos Trabalhadores a pedido do ex-diretor da Petrobras, Renato Duque. O PT não quis se manifestar sobre a declaração.
Os advogados dos executivos da Camargo Correa e da UTC disseram que os depoimentos desta segunda-feira (2) não confirmam a existência de um cartel formado pelas empresas.
O advogado Alberto Toron, que defende o presidente da UTC Ricardo Pessoa ainda acusou o juiz do caso, Sérgio Moro, de fazer perguntas com o objetivo explícito de levar a condenação dos acusados.
O juiz Sérgio Moro, não comenta declarações de advogados.
