domingo, 1 de março de 2026

Universitário cadeirante denuncia discriminação e exposição por motoristas de aplicativo em Rio Preto

Um estudante universitário de 27 anos procurou a Polícia Civil de São José do Rio Preto, nesta segunda-feira (23), para relatar uma série de episódios de discriminação e humilhação que teria sofrido ao tentar utilizar o transporte por aplicativo. Leonardo Richard Garcia Mota, que utiliza cadeira de rodas, registrou um boletim de ocorrência detalhando as dificuldades enfrentadas no bairro Jardim Alice, na zona norte, quando tentava se deslocar até uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) para receber cuidados médicos.

O relato aponta que o transtorno começou logo na primeira tentativa de embarque, quando o motorista se recusou a realizar o transporte alegando que não poderia carregar a cadeira de rodas. Na segunda tentativa, a situação tornou-se ainda mais grave. Mesmo após o jovem explicar que o equipamento era desmontável e cabia no porta-malas, o condutor teria retirado o passageiro do veículo e ido embora mantendo a corrida ativa no sistema. Essa prática é comum entre condutores que buscam evitar punições das plataformas pelo cancelamento de viagens, o que acabou gerando um custo indevido e impedindo que o jovem solicitasse outro carro imediatamente.

A situação atingiu o ápice do constrangimento quando um terceiro motorista, que finalmente aceitou realizar o trajeto, alertou Leonardo sobre uma exposição indevida. De acordo com a denúncia, uma foto do universitário ao lado de sua acompanhante estava circulando em grupos de mensagens com centenas de motoristas de aplicativo da cidade. A imagem era compartilhada acompanhada de comentários depreciativos e alertas sobre a recusa do transporte por causa da deficiência, o que fez com que o estudante se sentisse profundamente humilhado e vulnerável diante da exposição pública de sua imagem sem qualquer consentimento.

O caso agora está sob investigação da Central de Flagrantes e foi tipificado como crime de injúria, com o agravante de envolver elementos referentes à condição de pessoa com deficiência. Um dos motoristas envolvidos na recusa já foi identificado no registro policial, e o universitário manifestou formalmente o desejo de processar os responsáveis criminalmente. O episódio reacende o debate sobre o cumprimento das leis de acessibilidade e o tratamento digno que deve ser garantido a todos os usuários de serviços de transporte, independentemente de suas condições físicas.

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