Rogério Ceni acertou em adiar sua aposentadoria, e Denis tem mesmo é que esperar o ídolo tricolor parar, sem sequer pensar em trocar de clube.
Não é a opinião de qualquer um, é a opinião de Zetti, um dos maiores goleiros da história do São Paulo. Hoje com 49 anos, o veterano falou sobre os dois principais jogadores da posição na agremiação em que cansou de ganhar títulos e é ídolo.
E a análise chega em um momento oportuno, uma vez que Denis completa neste final de 2014 os mesmos seis anos de reserva que Rogério amargou antes de, finalmente, assumir o posto de titular que era de Armelino Donizetti Quagliato, o Zetti.
“Foi acertada a decisão dele [Rogério, de não se aposentar], porque ele encontra-se bem fisicamente, na parte clínica também. Eu acho que ele tomou a decisão correta… Ele terminou o ano de 2014 sendo um grande goleiro, numa performance muito boa. Acho que não é a idade ou porque todos acham que tem que parar, que ele vai tomar a decisão [de parar]. A idade dele não é o fator, é mais a condição física e clínica”, disse o paulista de Porto Feliz, cidade que fica na região de Sorocaba, no interior de São Paulo, ao ESPN.com.br durante a entrega do prêmio Bola de Prata, no último dia 8.
Vindo do Sinop-MT, Rogério chegou ao São Paulo em setembro de 1990; ficou de 1991 até o fim de 1996 como reserva de Zetti, que ao final daquele ano acertou sua ida para o Santos. A diferença em relação a Denis, que chegou ao Morumbi contratado da Ponte Preta em janeiro de 2009, é que o goleiro de 41 anos [completará 42 em 22 de janeiro] jogou bastante neste período de banco, graças ao “expressinho”, apelido dado ao time B do São Paulo naqueles anos.
“… Em 1992, [o Rogério] já estava no profissional treinando com a gente, junto com o Alexandre, que veio a falecer, e depois em 1996 eu saí, em dezembro de 1996. Mas o Rogério já vinha jogando no expressinho, jogava na Conmebol, que foi campeão, e acho que isso fortaleceu muito ele. A torcida começou a conhecê-lo um pouco mais, porque antes o expressinho era mais ativo no clube, o Telê [Santana] preservava muito isso, quando precisava de um atleta no time de cima, estavam quase todos preparados para assumir este compromisso”, relembrou o ex-goleiro, que após encerrar a carreira, no Sport, em 2001, também atuou como técnico por oito anos.
“Nesses anos que ele esperou, ele foi sendo lapidado e se preparou, sem dúvida, com as minhas atuações, observando…”, opinou.
Denis tem mesmo que esperar
Para Zetti, Denis, com 27 anos, tem mesmo é que esperar Rogério Ceni se aposentar. E nada de, agora, pensar em trocar de clube.
“Não é fácil [esperar tanto tempo na reserva]. Mas vamos pensar que o mercado do futebol brasileiro não é lá essas coisas. O São Paulo é um clube grande, que disputa títulos, então acho que, para ele, esperar esta oportunidade no São Paulo é o mais importante, para a carreira dele, financeiramente também. Ele é um goleiro que o São Paulo tem toda a confiança de substituir o Rogério Ceni, então, acho que tem que esperar este grande momento e estar preparado. Não o aconselharia a sair do São Paulo, não, não acho que é um bom negócio, acho que tem que esperar este momento que vai acontecer”.
Com experiência de sobra, Zetti, que atualmente tem uma academia de goleiros, a Fechando o Gol, ainda deu conselhos ao provável substituto de Rogério.
“O Denis está esperando o grande momento, mas tem que estar preparado. O Denis tem que estar em plena atividade mesmo esperando a qualquer momento esta oportunidade, porque ela vai aparecer, e quando aparecer, ele tem que dar conta do recado.”
Por fim, Zetti deixou claro que imitar ou querer ser um “novo Ceni” não é um bom caminho para o paulista de Jaú.
“E quando entrar no gol, ele não tem que substituir o Rogéio Ceni, ele tem que ser o Denis, que vai ganhar títulos também, que vai fazer a história dele dentro do São Paulo, acho que é assim que se ganha títulos”, encerrou Zetti, que no Bola de Prata, prêmio que ganhou em 1992, foi o responsável por entregar o troféu de melhor goleiro do Campeonato Brasileiro a Marcelo Grohe, do Grêmio.
